sábado, junho 03, 2006

Auto-análise

"Tornemos a visitar os irmãos por todas as cidades em que temos anunciado a palavra do Senhor, para ver como vão" (Atos 15:36).

O texto acima contém uma proposta que o Apóstolo Paulo fez a Barnabé depois da primeira viagem missionária deles. Ele propôs revisitar as igrejas que eles fundaram para ver como estavam indo. Seus membros continuavam firmes na fé? Eles estavam crescendo na graça? Eles estavam se desenvolvendo ou continuavam no mesmo nível? Eles estavam prosperando, ou regredindo? "Tornemos a visitar os irmãos e ver como vão".

Esta era uma proposta sábia e útil. Vamos propô-la ao nosso coração, e aplicá-la a nós mesmos neste século. Vamos atentar para nossos caminhos, e descobrir o que permanece entre nós e Deus. Vamos ver como estamos indo.
Eu peço a todo leitor deste volume que comece sua leitura, atentamente, juntando-se a mim numa auto-análise.
Se alguma vez o exame sobre estar no reino foi necessário, foi nos dias de hoje. (Século XIX)
Nós vivemos em uma época peculiar de privilégios espirituais. Desde o início do mundo nunca houve tais oportunidades para a alma de um homem ser salva quanto nos dias de hoje. Nunca houve tantos indícios religiosos na terra, tantos sermões pregados, tantos cultos nas igrejas e capelas, tantas Bíblias vendidas, tantos livros e tratados religiosos impressos, tantas Sociedades Evangelizadoras sendo apoiadas. Coisas estão sendo feitas em todos os lugares nos dias de hoje as quais cem anos atrás se pensava ser impossível. Há uma movimentação em torno da religião nos dias atuais diferente de tudo que vimos desde que a Inglaterra tornou-se nação, que até os mais céticos e infiéis não podem negar.
Se Romaine, Venn, Berridge, Rowlands, Grimshaw e Hervey tivessem sido informados que tais coisas sucederiam cem anos após a morte deles, eles seriam tentados a dizer como o samaritano "Ainda que o Senhor fizesse janelas no céu poderia isso suceder?" (2 Rs. 7:19). Mas o Senhor abriu as comportas do céu. Nos dias
de hoje na Inglaterra, existe mais ensino do verdadeiro Evangelho e do caminho da salvação pela fé em Jesus Cristo em uma semana, do que houve em um ano na época de Romaine. Seguramente tenho o direito de dizer que vivemos em uma época de privilégios espirituais. Mas isto nos fez melhores? Numa era como esta é bom perguntarmos "como vamos indo em relação as nossas almas?".
Vivemos numa época de perigos espirituais. Talvez nunca, desde que o mundo começou, existiu um montante tão grande de meros professos religiosos como nos dias de hoje. Dolorosamente, grande parte das congregações na Terra consistem de pessoas não convertidas, que não sabem nada da verdadeira religião, nunca participam da mesa do Senhor e nunca confessam a Cristo na sua vida diária. Miríades daqueles que estão sempre correndo atrás de pregadores e aglomerando-se para ouvir sermões especiais não são nada melhores do que metais ou címbalos que retinem, sem um pouquinho do Cristianismo real e vital em suas casas. (É curioso e instrutivo observar como a História se repete e quanta semelhança existe no coração humano em todas as épocas. Mesmo na Igreja Primitiva, Cônego Robertson diz: "Muitas pessoas vão à Igreja nas grandes cerimônias cristãs e nos teatros, ou mesmos nos templos para os espetáculos pagãos. O ritual da Igreja era visto como um espetáculo teatral. Os sermões eram ouvidos como exibições retóricas; e eloqüentes pregadores eram saudados com salvas de palmas e de batidas de pés, movimentação de lenços, gritos de "ortodoxo", "13º apóstolo", e demonstrações deste tipo, as quais mestres como Crisóstomo e Agostinho tentaram restringir, bem como tentaram persuadir seu rebanho a ouvir de maneira mais produtiva. Alguns iam para a Igreja apenas para ouvir o sermão, alegando que poderiam orar em casa. E quando as partes mais atrativas do culto terminavam, a grande maioria retirava-se sem participar da eucaristia"- Robertson’s "Church History" B II, cap. VI, pág. 356.
Temo que a vida de muitas pessoas religiosas nesta época, nada mais é do que um contínuo aperitivo espiritual. Elas estão sempre buscando, morbidamente, o mais novo estímulo e pouco se importam sobre o que aconteceria se tão somente o conseguissem. Toda pregação parece ser a mesma para elas e parece que são incapazes de "ver diferenças" contanto que escutem aquilo que é mais brilhante, tenham seus ouvidos agradados e estejam no meio de uma multidão. O pior de tudo é que existem centenas de jovens crentes instáveis, tão infectados com o mesmo amor pelo excitamento, que atualmente pensam ser um dever estar sempre buscando-o . Quase insensíveis a si mesmos, assumem um tipo de cristianismo histérico, sensacionalista e sentimental, até que não se contentam mais com as "antigas veredas" e, tal como os atenienses, estão sempre correndo atrás de algo novo. Ver um jovem crente propenso a serenidade, que não seja presunçoso, confiante em si mesmo, orgulhoso, e mais apto a ensinar do que aprender, mais contente com um persistente esforço diário, visando o crescimento na semelhança com Cristo e em fazer o serviço de Cristo tranqüilamente e sem ostentação, em casa, está realmente se tornando raridade! Muitos jovens professos demonstram quão pouco profunda é a sua raiz, e quão pouco conhecimento tem de seus corações, através do estardalhaço, assanhamento, prontidão para contradizer crentes idosos e confiança exagerada em sua própria, fantasiosa, sabedoria e firmeza! E assim será para muitos jovens professos desta época, se eles não pararem, depois de terem sido agitados por um tempo e "levados ao redor por todo vento de doutrina", por juntar-se a alguma seita mesquinha, tacanha e censuradora, ou por abraçar alguma heresia insensata, ilógica e excêntrica. Certamente, em tempos como este há grande necessidade para a auto-análise. Quando olhamos ao nosso redor, podemos muito bem inquirir "como vai nossas almas?"
Sobre esta questão, penso que o método mais curto será sugerir uma lista de assuntos para nossa auto-análise e agrupá-los em ordem. Assim fazendo, espero encontrar o caso de cada pessoa que ler este texto. Convido a cada leitor a unir-se a mim numa calma e minuciosa introspecção por alguns minutos. Desejo falar a mim, bem como a vocês. Aproximo-me não como um inimigo, mas como um amigo.
"Irmãos, o bom desejo do meu coração e a minha súplica a Deus por Israel é para sua salvação" Rm. 10: 1.
Suportem-me se digo coisas que a primeira vista parecem desagradáveis e severas. Creiam-me, seu melhor amigo é aquele que lhe fala as maiores verdades.
Em primeiro lugar, deixe-me perguntar-lhes: Alguma vez paramos para pensar sobre nossas almas?
Milhares de ingleses, eu temo, não podem responder esta questão satisfatoriamente. Eles nunca dão lugar em seus pensamentos ao assunto religião. Do início ao fim do ano, eles estão absortos com seus negócios, prazeres, política, dinheiro ou auto-indulgência de um tipo ou de outro. Morte, julgamento, eternidade, céu, inferno e o mundo vindouro, nunca são considerados nem olhados com serenidade. Vivem como se nunca fossem morrer, ou ressuscitar, ou estar no tribunal de Deus, ou receber uma sentença eterna! Não se opõem abertamente a religião, por não terem refletido suficientemente sobre ela, para assim o fazer; mas comem, bebem, dormem, ganham dinheiro, gastam dinheiro, como se a religião fosse uma ficção e não uma realidade. Eles não tem nenhuma religião e não se preocupam em formar opinião sobre isto. Um estilo de vida mais insensato e irracional não pode se concebido. Apesar disto, eles não pretendem logicar sobre isto. Eles simplesmente nunca pensam em Deus, a menos que estejam assustados por alguma doença, morte na sua família, ou tenha acontecido algum acidente com um conhecido e isto por alguns minutos somente. Parecem ignorar a religião por completo, excetuando-se estes vislumbres acima, e prosseguem em seus caminhos frios e imperturbáveis, como se não houvesse nenhum pensamento melhor do que este mundo.
É difícil imaginar uma vida mais indigna numa criatura imortal, do que a vida que acabei de descrever, por reduzir o homem ao nível de uma fera. Mas é literal e verdadeiramente a vida de multidões na Inglaterra. E a medida que vão morrendo, seus lugares são ocupados por multidões iguais a eles. O quadro, sem dúvida, é horrível, preocupante e revoltante, mas infortunadamente, é a mais pura verdade. Em cada lugar você encontra pessoas desta classe, que pensam sobre tudo debaixo do sol, exceto sobre uma necessidade real: a salvação de suas almas. Como os judeus antigos eles não "consideram seus caminhos", não "consideram seu fim", não "consideram que fazem mal" ( Is. 1:3, Dt. 32.29, Ec. 5:1). Como Gálio eles "não se importavam com nenhuma destas coisas" (At. 18:17). Se prosperam no mundo e enriquecem, e são bem sucedidos no curso de suas vidas, eles são louvados e admirados por seus contemporâneos. Nada produz mais efeito na Inglaterra do que o sucesso! Mas, apesar disto, eles não podem viver para sempre. Eles morrerão e surgirão diante do Tribunal de Deus e serão julgados; e então como será o fim deles?
Quando uma grande maioria de pessoas como estas existe no nosso país, nenhum leitor precisa se admirar de eu perguntar se ele pertence a ela também. Se sim, você precisa ter uma marca na sua porta, como a que era usada há dois séculos atrás para identificar uma casa afetada por praga, com as palavras: "Senhor tem misericórdia de nós". Olhe atentamente para a classe de pessoas que descrevi, e então olhe para sua própria alma.
Em segundo lugar, deixe-me perguntar:
Nós alguma vez fazemos alguma coisa por nossas almas?
Existem multidões na Inglaterra que pensam ocasionalmente sobre religião, mas infelizmente nunca vão além disso. Após um sermão animador, ou após um funeral, ou sob a pressão de uma enfermidade, ou no domingo a tarde, ou quando as coisas vão mal nas suas famílias, ou quando se deparam com algum livro ou tratado tocante, eles pensarão e até mesmo falarão um pouco, de modo vago, sobre religião. Mas rapidamente param, como se pensar e falar fosse suficiente para salvá-los. Eles estão sempre intencionando, pretendendo, propondo, resolvendo, desejando e nos falando que eles "sabem" o que é certo, e "esperam" serem achados justificados no fim, mas nunca realizam alguma ação neste sentido. Não existe uma real separação do serviço do mundo e do pecado, não se toma a cruz e segue-se a Cristo, nenhum feito positivo no seu cristianismo. Suas vidas são gastas fazendo a parte do filho a quem o pai disse: "Filho, vai trabalhar hoje na vinha e ele respondeu: Sim, senhor; mas não foi". (Mt. 21: 28-29). Eles são como aqueles a quem o profeta Ezequiel descreve que gostam da sua pregação, mas nunca praticam o que é pregado: "E eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois com a sua boca professam muito amor, mas o seu coração vai após o lucro. E eis que tu és para eles como uma canção de amores, canção de quem tem voz suave, e que bem tange; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra". (Ez. 33: 31-32). Nos dias de hoje, quando ouvir e pensar sem fazer é tão comum, ninguém pode se surpreender que eu importune os homens com a absoluta necessidade de auto-análise. Uma vez mais peço aos meus leitores que considerem a questão do meu texto: Como vamos indo em relação as nossas almas?
Em terceiro lugar, pergunto: Estamos tentando satisfazer nossas consciências com uma mera religião formal?
Há miríades na Inglaterra neste momento, que naufragam nesta rocha. Como os antigos fariseus, eles fazem muito rebuliço sobre a parte externa do cristianismo, enquanto que a parte interna e espiritual é totalmente negligenciada. Eles são cuidadosos com a freqüência aos cultos e o uso regular de todas as suas formas e ordenanças. Nunca estão ausentes da comunhão quando a Ceia do Senhor é ministrada. Algumas vezes são severos na observância da Quaresma e atribuem grande importância aos dias santos. Freqüentemente são entusiastas partidários de suas igrejas, seitas ou congregações, e aptos para contender com qualquer um que não concorde com eles. E apesar disto, não há coração em suas religiões. Qualquer um que lhes conheça intimamente pode ver, facilmente, que suas afeições estão voltadas para as coisas terrenas e não nas do alto; e que tentam disfarçar a falta de cristianismo interno, com uma quantidade excessiva de formas externas. E esta religião formal não lhes faz, verdadeiramente, bem nenhum. Eles não estão satisfeitos. Começando com o objetivo errado, fazendo as coisas exteriores primeiro, não conhecem nada da alegria interior e da paz, e passam seus dias num esforço constante, conscientes, secretamente, que existe alguma coisa errada, apesar de não saberem porquê. Bem, depois de tudo, se eles não vão de um estado de formalidade para outro, se desesperam e tomam um mergulho fatal e caem no papismo. Quando cristãos professos deste tipo são tão, dolorosamente, numerosos, preciso exortá-los da grande importância de uma profunda auto-análise. Se você ama a vida, não se satisfaça com uma religião de casca. Lembre-se das palavras do nosso Salvador sobre os judeus da Sua época: "Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim. Mas em vão me adoram" (Mt. 15: 8-9). É necessário algo mais do que simplesmente ir a igreja diligentemente e receber a Ceia do Senhor, para conduzir nossas almas ao céu. Meios de graça e formas de religião, são úteis neste caminho e Deus raramente faz alguma coisa para Sua Igreja, sem eles. Mas tomemos cuidado para não naufragarmos no farol que ajuda a mostrar o canal que conduz ao porto. Uma vez mais pergunto: Como vamos indo em relação as nossas almas?
Em quarto lugar, deixe-me perguntar: Recebemos o perdão de nossos pecados?
Poucos ingleses racionais pensariam em negar que são pecadores. Muitos talvez possam dizer que não são tão maus como muitos outros, e que não tem sido tão pecaminosos e assim por diante. Mas poucos, eu repito, diriam que sempre viveram como anjos, e que nunca disseram, fizeram ou pensaram qualquer coisa errada em todos os seus dias. Na verdade, todos nós devemos confessar que somos mais ou menos "pecadores" e, como tais, culpados diante de Deus; e, como culpados, precisamos ser perdoados ou estaremos perdidos e condenados por toda a eternidade no último dia. Agora é a glória da religião cristã que provê para nós o perdão que precisamos: completo, gratuito, perfeito, eterno e consumado. É um artigo do conhecido credo que a maioria dos ingleses aprendem quando crianças: "Creio no perdão dos pecados" . Este perdão dos pecados foi comprado para nós, através dos méritos do Eterno Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, que veio a este mundo para ser nosso Salvador, através de sua vida, morte, ressurreição, como nosso substituto. Ele adquiriu este perdão através do Seu precioso sangue, sofrendo no nosso lugar na cruz, satisfazendo a justiça de Deus. Mas este perdão, grande, completo e glorioso, não se torna propriedade de todo homem ou mulher como um fato natural. Não é um privilégio que todo membro de igreja possue, simplesmente porque é um frequentador. É algo que cada indivíduo deve receber, através de sua fé, agarrando-o pela fé, apropriando-se pela fé e fazendo-o seu pela fé; ou então, no que lhe concerne, Cristo terá morrido em vão: "Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (Jo. 3:36). Nada poderia ser mais simples ou conveniente ao homem. Como o bom idoso Latimer disse sobre a justificação: "É só crer e ter". É só a fé que é requerida; e a fé nada mais é do que a humilde e sincera confiança da alma que deseja ser salva. Jesus está pronto e disposto a salvar; mas o homem deve vir a Jesus e crer. Todo o que crer será justificado e perdoado, mas sem a fé não há perdão.
Eu temo que aqui é o ponto exato onde multidões de ingleses caem, e estão em iminente perigo de estarem perdidos para sempre. Eles sabem que não há perdão de pecados exceto em Cristo Jesus. Eles podem lhe dizer que não há Salvador para pecadores, Redentor, Mediador, a não ser Aquele que nasceu da Virgem Maria, e foi crucificado sob o poder de Pôncio Pilatos, morreu e foi sepultado. Mas aqui eles param e não prosseguem! Eles nunca chegam ao ponto de segurar-se em Cristo pela fé, e tornar-se um com Cristo e Cristo neles. Eles podem dizer, Ele é um Salvador, mas não meu Salvador; um Redentor, mas não meu Redentor; um Sacerdote, mas não meu Sacerdote; um Advogado, mas não meu Advogado; e assim vivem e morrem indesculpáveis! Martinho Lutero disse: "Muitos estão perdidos porque não podem usar pronomes possessivos". Quando este é o estado de muitos nos dias de hoje, não se espantem de que eu pergunte se receberam o perdão de seus pecados. Uma eminente cristã uma vez disse, na sua velhice: "O começo da vida eterna na minha alma, foi uma conversa que tive com um idoso cavalheiro que veio visitar meu pai quando eu era criança. Ele tomou-me pela mão um dia e disse: "Minha querida criança, minha vida está perto de acabar, e você provavelmente viverá muitos anos depois de minha partida. Mas nunca esqueça de duas coisas. Uma delas é que existe algo como ter seus pecados perdoados enquanto vivemos. A outra é que há algo como conhecer e sentir que estamos perdoados". Agradeço a Deus nunca ter esquecido suas palavras".
Não descansemos até que conheçamos e sintamos, como o Livro de Orações diz, que estamos perdoados.
Uma vez mais pergunto, na questão do perdão de pecados, "Como estamos indo?"

Em quinto lugar, deixe-me perguntar: conhecemos algo da experiência de conversão para Deus?
Sem conversão não há salvação. "Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus"(Mt. 18:3). "Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus"(Jo. 3:3). "Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele" (Rm. 8:9). "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" 2 Co. 5:17.
Todos somos, por natureza, tão fracos, mundanos, profanos, tão inclinados para o pecado, que sem uma mudança completa não poderemos servir a Deus nesta vida, e não poderemos gozá-lO depois da morte. Tal como patos, que tão logo saem do ovo, dirigem-se naturalmente para água, assim também as crianças, tão logo possam fazer alguma coisa, são levadas ao egoísmo, mentira e falsidades; e nenhuma ora ou ama a Deus, a menos que sejam ensinadas. Rico ou pobre, alto ou baixo, educado ou rude, todos necessitamos de uma mudança completa; uma mudança que é um ofício especial do Espírito Santo. Chame-a como quiser: novo nascimento, regeneração, renovação, nova criação, vivificação, arrependimento; o certo é que ela deve existir para sermos salvos, e se a tivermos, isto será reconhecido.
Senso do pecado e uma profunda indignação contra ele, fé em Cristo e amor por Ele, deleite na santidade e um profundo desejo de ter mais dela, amor pelo povo de Deus e desgosto pelas coisas referentes ao mundo, estes são os sinais e evidências que sempre acompanham a conversão. Milhares ao nosso redor não conhecem nada sobre isto. Eles estão, na linguagem bíblica, mortos, e adormecidos, e cegos, e desqualificados para o reino de Deus. Ano após ano, talvez, eles seguem repetindo as palavras do credo: "Eu acredito no Espírito Santo"; mas eles são totalmente ignorantes da Sua operação transformadora no interior do homem. Algumas vezes, eles alimentam a esperança de serem nascidos de novo, porque foram batizados, vão à igreja e recebem a Ceia do Senhor; contudo são totalmente destituídos das marcas do novo nascimento, como descrito por João na sua primeira epístola. E em todo este tempo, as palavras das Escrituras são claras e evidentes: "se não vos converterdes, de modo algum entrareis no reino dos céus"(Mt. 18:3).
Não há dúvida que existem muitas conversões fingidas nestes dias de excitamento religioso. Mas moedas ruins não são provas que não há dinheiro bom; antes, é um sinal que existe tanto o dinheiro corrente valioso, quanto a imitação equivalente. Hipócritas e cristãos fingidos são evidências indiretas de que existe algo como a graça real entre os homens. Então, perscrutemos nossos corações para ver como vamos indo em relação a conversão.
Deixe-me perguntar em sexto lugar: "conhecemos algo sobre a santidade prática cristã?"
É tão certo quanto qualquer coisa na Bíblia que "sem a santificação, ninguém verá o Senhor"(Hb. 12:14). É igualmente certo que ela é o fruto invariável da fé salvífica; o teste real da regeneração, a única evidência visível da graça interna, a conseqüência incontestável da união vital com Cristo.
Santidade não significa perfeição absoluta e liberdade de todas as faltas. Nada deste tipo! As loucas palavras de alguém que diz gozar de "comunhão ininterrupta com Deus por muitos meses" , são grandemente censuradas porque criam expectativas não bíblicas nas mentes de jovens crentes e portanto prejudicam. Perfeição absoluta é para o céu e não para a Terra, onde temos um corpo fraco, um mundo mau e um demônio ativo continuamente perto de nossas almas. Tampouco é real que a santidade cristã seja alcançada ou mantida, sem uma constante luta e esforço. O grande apóstolo , que disse: "Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à submissão, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não venha a ficar reprovado" (1 Co. 9:27 ), teria se surpreendido ao ouvir falar da santificação sem esforço pessoal, e de que crentes somente necessitam sentar e esperar que tudo será feito por eles!
Não importa quão débil e imperfeita a santidade dos melhores santos possa ser, pois ela é uma coisa real e tem uma natureza tão inconfundível quanto a luz e o sal. Não é algo que comece ou termine com uma confissão barulhenta; ela será muito mais vista do que ouvida. A genuína santidade das Escrituras fará com que o homem faça seu dever em casa e adorne sua doutrina nas pequenas provas da vida diária. Fará um homem humilde, bom, gentil, altruísta, bem-humorado, respeitador, amável, meigo e perdoador. Não o constrangerá a ausentar-se do mundo, trancafiando-se numa caverna, como um ermitão. Pelo contrário, fará com que ele realize seu dever onde quer que Deus o tenha chamado para tal, baseando-se em princípios cristãos e seguindo o exemplo de Cristo.
Tal santidade, sei muito bem, não é comum. É um estilo de cristianismo prático que é, lastimavelmente, raro nos dias de hoje. Mas não posso achar nenhum outro padrão de santidade na Palavra de Deus, nenhum que se compare ao exemplo deixado por nosso Senhor e Seus Apóstolos.
Uma vez mais, portanto, perguntemos a nós mesmos: Na questão da santidade, como está nossas almas?
Deixe-me perguntar, em sétimo lugar, se "nós nos deleitamos com os meios de graça?"
Quando falo de meios de graça, tenho em mente cinco coisas principais: a leitura da Bíblia, oração privada, adoração pública, o sacramento da Santa Ceia e o descanso no dia do Senhor.
Eles são meios que Deus, graciosamente, designou para transmitir graça ao coração humano através do Espírito Santo, ou para alimentar a vida espiritual depois de a ter começado. Enquanto o mundo existir, o estado da alma humana sempre dependerá grandemente do modo e do espírito em que ele usa os meios de graça. Eu disse deliberadamente, o modo e o espírito. Muitas pessoas usam os meios de graça regular e formalmente, mas não sabem nada sobre deleitarem-se neles. Eles os usam como uma questão de dever, mas sem um mínimo de sentimento, interesse ou afeição, ainda que o senso comum nos diga que o uso das coisas espirituais de forma mecânica e formal é totalmente inútil e sem proveito. Nossos sentimentos sobre eles é somente um dos muitos testes do estado de nossas almas. Como aquele homem pode ser ensinado a amar a Deus e a Seu Cristo, se ele lê sobre eles somente por obrigação, contentando-se e satisfazendo-se se puder avançar na sua leitura bíblica muitos capítulos? Como aquele homem pode supor que está pronto para encontrar Cristo a quem ele nunca procurou para derramar seu coração em secreto, como um amigo, satisfazendo-se em repetir uma série de palavras pela manhã e ao dormir, sob o nome de "oração", raramente considerando o porquê o faz? Como poderia ser feliz no céu, eternamente, aquele que considera o domingo um dia melancólico, triste, enfadonho, aquele que não conhece nada sobre louvor e oração sinceros e não se importa se o que escuta do púlpito é correto ou incorreto, ou raramente escuta o sermão? Qual a condição espiritual daquele homem cujo coração nunca "queima dentro dele" quando recebe o pão e o vinho que nos relembra a morte de Cristo na cruz e a expiação do pecado?
Estes questionamentos são muito sérios e importantes. Se os meios de graça não tivessem outro uso, e não nos ajudassem em direção ao céu, eles seriam úteis em prover um teste sobre o nosso real estado a vista de Deus. Digam-me o que faz um homem na questão da leitura da Bíblia e da oração, na questão do domingo, dos cultos e da Ceia do Senhor, e eu lhes direi quem ele é, e em qual estrada ele está viajando. Uma vez mais eu pergunto: Como estamos indo em relação aos meios de graça?
Em oitavo lugar, pergunto: "alguma vez tentamos fazer algum bem neste mundo?"
Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto esteve na Terra, continuamente, "andou por toda parte, fazendo o bem"(At. 10:38). Os apóstolos e todos os discípulos dos tempos bíblicos, estavam sempre esforçando-se para andar segundo Seus passos. Um cristão que se contenta em garantir sua ida para o céu e não se importa sobre o que sucedeu com os outros, se viveram felizes, se morreram ou não em paz, deveria ser considerado um tipo de monstro dos tempos primitivos, que não tinha o Espírito de Cristo. Porque deveríamos supor, por um momento sequer, que um padrão mais baixo seria suficiente nos dias atuais? Porque figueiras infrutíferas seriam poupadas nos dias de hoje, quando nos dias do nosso Senhor foram cortadas pois ocupavam a terra inutilmente? (Lc. 13:7). Estas são perguntas sérias, que demandam respostas sérias.
Existe uma geração de cristãos professos nos dias de hoje, que parece não saber nada sobre o cuidado pelos seus próximos, e são completamente absorvidos no que concerne a prioridade número 1 da sua vida, ou seja, eles próprios e seus familiares. Eles comem, bebem, dormem, vestem, trabalham, ganham dinheiro, gastam dinheiro, ano após ano; e se outros são felizes ou infelizes, sadios ou doentes, convertidos ou não, caminham em direção ao céu ou ao inferno, parecem ser questões sobre as quais são extremamente indiferentes. Isto é certo? Este procedimento pode ser conciliado com a religião dAquele que contou a parábola do bom samaritano, e nos ordenou: "Vai, e faze tu o mesmo" (Lc. 10:37). Duvido totalmente!
Há muito a ser feito em todo lugar. Não há um lugar na Inglaterra onde não haja um campo para trabalhar e uma porta aberta para ser útil, se alguém dela necessitar. Não há cristão que não possa achar alguma boa ação para fazer aos outros, se tiver somente um coração disposto a fazê-lo. O mais pobre homem ou mulher, sem um centavo para dar, sempre poderá demonstrar sua profunda simpatia ao doente e aflito, e com uma bondosa e terna ajuda pode diminuir a miséria e aumentar o conforto do seu próximo, neste mundo conturbado. Mas a vasta maioria dos cristãos professos, ricos ou pobres, religiosos ou hereges, parecem estar possuídos por um egoísmo detestável e não conhecem o prazer de se fazer o bem. Eles argüem, de pronto, sobre batismo, e sobre a Ceia do Senhor, e as formas de adoração, e da união entre Igreja e Estado, e outras questões iguais a ossos secos. Mas durante todo o tempo parecem não se importar com seus próximos. O claro ponto prático, se eles amam seus próximos, como o samaritano amou o viajante da parábola, e podem separar algum tempo e esforço para lhes fazer bem, é um ponto sobre o qual eles nunca tocam com nenhum de seus dedos.
Em muitas paróquias inglesas, na cidade ou no interior, o amor verdadeiro parece ter morrido e um desprezível espírito de partidarismo e controvérsia são os únicos frutos que o cristianismo parece ser capaz de produzir. Em dias como estes, não se surpreendam se coloco este assunto sobre sua consciência. Conhecemos alguma coisa sobre o genuíno amor samaritano aos outros? Alguma vez tentamos fazer algum bem a uma pessoa, além de nossos amigos e parentes, ou para nosso próprio benefício? Estamos vivendo como discípulos dAquele que sempre andava "por toda parte, fazendo o bem", e ordenando a Seus discípulos a tomá-lO como "exemplo" (Jo. 13:15). Se não, com que cara O encontraremos no dia do julgamento? Também nesta questão, como vamos indo?
Em nono lugar, pergunto: "vivemos uma vida de comunhão com Cristo?"
Por "comunhão", quero dizer aquele modo de "permanecer em Cristo" que nossos Senhor falou no capítulo 15 do Evangelho de João, como essencial para que o cristão frutifique (Jo. 15:4-8). Vamos deixar claro que união com Cristo é uma coisa e comunhão é outra. Não pode haver comunhão com Cristo sem que primeiro haja união; mas, infelizmente, pode haver união com o Senhor Jesus e depois pouca ou nenhuma comunhão. A diferença entre as duas coisas não é a diferença entre dois passos distintos, mas entre a mais alta e a mais baixa extremidade de uma subida. União é o privilégio comum de todos que sentiram seus pecados e verdadeiramente se arrependeram deles, e vieram a Cristo pela fé, e foram aceitos, perdoados e justificados nEle. Muitos crentes, eu temo, nunca ultrapassaram este estágio! Em parte por ignorância, em parte por preguiça, ou por medo dos homens, ou por nutrirem um amor secreto pelo mundo, ou por causa de um pecado costumeiro que ainda não foi mortificado, eles estão contentes com uma pequena fé, uma pequena esperança, uma pequena paz, e uma pequena medida de santidade. E eles vivem toda a sua vida nesta condição, hesitantes, fracos, duvidosos e frutificando somente a "trinta por um" até o fim de seus dias!
Comunhão com Cristo é o privilégio daqueles que estão continuamente esforçando-se para crescer na graça, na fé, no conhecimento, e na conformidade com a mente de Cristo em todas as coisas; que esquecendo-se das coisas que para trás ficam, e avançando para as que estão adiante, não julgando que já o tenham alcançado; prosseguem para o alvo, para o prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus. (Fp. 3: 13-14).
União é o botão, mas comunhão é a flor; união é o bebê, mas comunhão é o homem robusto. Aquele que tem união com Cristo faz bem; mas o que goza da comunhão com Ele faz muito melhor! Ambos tem uma vida, uma esperança, uma semente celestial em seus corações, um Senhor, um Salvador, um Espírito Santo, um lar eterno; mas união não é tão excelente quanto a comunhão! O grande segredo de ter comunhão com Cristo é estar continuamente vivendo a vida de fé nEle (Gl. 2:20), e extrair dEle, a cada hora, o suprimento que cada hora requer. "Para mim", diz Paulo "o viver é Cristo" (Fp. 1:21). "Eu vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim" (Gl. 2:20).
Comunhão como esta é o segredo do permanente "gozo e paz na vossa fé", os quais eminentes santos como Bradford e Rutherford reconhecidamente possuíram. Ninguém foi mais humilde ou mais profundamente convencido de suas próprias fraquezas e corrupções. Eles poderiam dizer-lhe que o capítulo 7 de Romanos descreve, precisamente, suas próprias experiências. Endossariam cada palavra da "Confissão" postas nas bocas de verdadeiros crentes, do nosso Livro de Orações do Culto de Comunhão. Diriam continuamente, "a lembrança dos nossos pecados é dolorosa para nós; o fardo deles é intolerável". Mas estavam sempre olhando para Jesus e nele estavam sempre aptos a regozijarem- se. Comunhão como esta é o segredo de vitórias esplendorosas que homens como eles obtiveram sobre o pecado, o mundo, e o medo da morte. Eles não sentavam negligentemente dizendo: "Eu deixarei que Cristo faça tudo por mim", mas, fortalecidos no Senhor, usaram a natureza divina que Deus implantou neles, corajosa e confiadamente, e foram em todas estas coisas mais que vencedores, por Aquele que os amou (Rm. 8:37). Como Paulo, poderiam dizer: "Posso todas as coisas naquele que me fortalece"(Fp. 4:13).
Ignorância desta vida de comunhão é uma entre muitas razões porque tantos, nestes dias, buscam o confessionário e tem estranhos pontos de vista sobre a "real presença" do Senhor na Ceia. Tais erros freqüentemente brotam de um conhecimento imperfeito de Cristo, e de uma visão obscura de uma vida de fé num Salvador ressureto, vivo e que intercede por nós. É a comunhão com Cristo, tal como esta, uma coisa comum? É muito rara na verdade! A maior parte dos crentes parecem contentar-se somente com o conhecimento elementar da justificação pela fé, e uma meia dúzia de outras doutrinas, e seguem duvidando, hesitando, coxeando, gemendo, ao longo do caminho para o céu, e experimentam pouco do senso de vitória ou gozo.
As igrejas destes últimos dias estão cheias de crentes fracos, sem poder, e sem influência, salvos afinal, "como que pelo fogo"(1 Co. 3:15) mas nunca abalando o mundo, e sem conhecer nada sobre "uma entrada abundante" (2 Pd. 1:11).
Assim sendo, pergunto uma vez mais: na questão da comunhão com Cristo, como vamos indo?
Em décimo e último lugar, pergunto: "estamos preparados para a segunda vinda de Cristo?"
Que Ele virá uma segunda vez, é tão certo quanto qualquer coisa da Bíblia. O mundo não o viu pela última vez. Tão certo quanto Ele subiu aos céus, no Monte das Oliveiras, de forma corpórea e visível, diante dos olhos de Seus discípulos, Ele virá nas nuvens do céu, com poder e grande glória (At. 1:9-11; Mt.24:30). Ele virá para ressuscitar os mortos, transformar os vivos, recompensar Seus santos, punir os pecadores, renovar a Terra e lançar fora as maldições; purificar o mundo, do modo que purificou o templo, e estabelecer um reino onde o pecado não terá lugar e a santidade será a regra universal. Os credos que repetimos e professamos crer, continuamente declaram que Cristo virá novamente.
Esperar pela Sua segunda vinda, fazia parte da religião dos cristãos primitivos. Olhavam para o passado e viam a cruz e a expiação pelo pecado, e regozijavam-se no Cristo crucificado. Olhavam para o alto e viam Cristo a mão direita de Deus, e regozijavam-se no Cristo intercessor. Olhavam para o futuro, para a volta prometida do Seu Mestre e regozijavam-se na esperança de poder vê-Lo de novo. Nós devemos fazer o mesmo.
O que realmente recebemos de Cristo? O que conhecemos dEle? O que pensamos dEle? Vivemos como alguém que anseia vê-Lo de novo e ama Sua volta? Estar preparado para esta volta nada mais é do que ser um cristão real e consistente. Não requer que nenhum homem cesse suas tarefas diárias. O fazendeiro não precisa abandonar sua fazenda, o médico seus pacientes, o lojista sua calculadora, o carpinteiro seu martelo e seus pregos, o professor seus alunos. O melhor que cada um de nós pode fazer, é ser encontrado fazendo seus deveres, mas fazendo-os como cristãos, e com um coração preparado e pronto para partir. O mundo está envelhecendo e desmazelando-se. A vasta maioria dos cristãos assemelham-se aos homens da época de Noé e Ló, que comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, plantavam, construíam, até o dia em que o dilúvio e o fogo chegaram. As palavras de nosso mestre são muito solenes e perscrutadoras: Lembrai-vos da mulher de Ló" (Lc.17:32) e "Olhai por vós mesmos; não aconteça que os vossos corações se carreguem ... dos cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha de improviso como um laço"(Lc.21:34). Uma vez mais pergunto: Como vamos indo no que diz respeito a segunda vinda de Cristo?
Eu termino minhas indagações aqui. Eu facilmente adicionaria mais perguntas a estas, mas creio que disse o suficiente para promover uma auto-análise em muitas mentes. Deus é minha testemunha que não disse nada que não sentise ser de grande importância para minha própria alma. Só o que quero é fazer o bem a outros.
Deixe-me concluir com algumas palavras de aplicação prática:
Algum de vocês está adormecido ou totalmente descuidado sobre o cristianismo?
Ó, acorde e não durma mais! Olhe os cemitérios. Uma por uma das pessoas que lhe rodeiam estarão sepultadas lá, e você estará lá um dia. Veja o mundo porvir e com a mão no coração diga, se tiver coragem, que você está pronto para morrer e encontrar-se com Deus. Ah! Você parece com alguém que dorme num bote que flutua em direção as cataratas do Niágara! "Que estás fazendo, ó tu que dormes? Levanta-te, clama ao teu deus"(Jn. 1:6). "Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará"(Ef. 5:14).
Algum de vocês se sente condenado e teme que não haja esperança para sua alma?
Ponha de lado seus temores e aceite a oferta de nosso Senhor Jesus Cristo aos pecadores. Ouça-O dizendo: "Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei"(Mt. 11:28). "Se alguém tem sede, venha a mim e beba" (Jo. 7:37). "O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora"(Jo.6:37).
Não duvide que estas palavras são para você tanto quanto para qualquer outra pessoa. Traga todos os seus pecados e incredulidades, e culpa, e inaptidão, e fraquezas; traga tudo a Cristo. "Este recebe pecadores, e come com eles" e Ele receberá você (Lc. 15: 2). Não fique sentado, balançando entre dois caminhos e esperando uma época conveniente. Venha a Cristo hoje. "Tem bom ânimo; levanta-te, Ele te chama"(Mc. 10:49).
Algum de vocês é crente professo em Cristo, mas um crente sem muito regozijo, paz e conforto?
Ouça meu conselho hoje. Sonde seu coração e veja se a falta não está totalmente em você. Muito provavelmente você está sentado confortavelmente, contente com sua pequena fé, pequeno arrependimento, com a pouca graça e pouca santificação, e inconscientemente assustado com os excessos. Você nunca será um cristão feliz a este custo, mesmo que viva até a idade de Matusalém. Mude seus planos sem demora, se você ama a vida e deseja ver dias melhores. Volte-se corajosa e decididamente. Seja completo, inteiro, no seu cristianismo e coloque sua face totalmente voltada para o sol. Deixe todo fardo e o pecado que, tão facilmente, te envolve. Esforce-se para se aproximar de Cristo, habitar nEle, agarrar-se a Ele e sentar-se aos Seus pés como Maria e beber grandes goles da fonte de vida. "Estas coisa" diz João "vos escrevemos, para que o vosso gozo seja completo"(1 Jo. 1:4). "se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros" (1 Jo. 1:7).
Algum de vocês é crente opresso por dúvidas e temores, por causa de sua debilidade, fragilidade e senso de pecado?
Lembre-se do texto que diz de Jesus "Não esmagará a cana quebrada, e não apagará o morrão que fumega"(Mt. 12:20). Conforte-se com o pensamento que este texto é para você. E daí que sua fé é fraca? É melhor do que não ter fé nenhuma. A menor semente de vida é melhor do que a morte. Talvez você tenha muita expectativas neste mundo. A Terra não é Céu. Você ainda está na carne. Espere pouco de você, mas muito de Cristo. Olhe mais para Cristo e menos para você.
Finalmente, algum leitor deste texto algumas vezes se abate pelas provas que encontra em seu caminho para o céu, provas no corpo, na família, circunstâncias, de seus próximos e do mundo?
Olhe para o Salvador sentado a mão direita de Deus, que se compadece de você e derrame seu coração diante dEle. Ele pode se comover com os sentimentos de suas provas, pois Ele próprio sofreu quando foi tentado. Você está sozinho? Ele esteve também. Você está sendo difamado e caluniado? Ele também foi. Seus amigos lhe esqueceram? Os dele também. Você está sendo perseguido? Ele também foi. Você está cansado no corpo e aflito na alma? Ele também esteve assim. Sim! Ele pode sentir por você, e Ele pode ajudar tanto quanto pode sentir. Então, aprenda a aproximar-se de Cristo. O tempo é curto. Num minuto acabará. Breve estaremos com o Senhor. "Porque deveras terás uma recompensa; não será malograda a tua esperança" (Pv. 23:18). "Porque necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Pois ainda em bem pouco tempo aquele que há de vir virá, e não tardará" (Hb.10: 36-37).

J C. R.

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