terça-feira, abril 25, 2006

A Morte da Morte na Morte de Cristo

"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: Há tempo de nascer etempo de morrer" (Ec 3.1,2).
As vezes, diante da perspectiva da morte os nossos sonhos desertam. A morte chega como alguém que não foi convidado, como alguém que não barganha nada. Quando o homem a vê de perto; o pânico vem: "... pelo pavor da morte, estavam sujeitos a escravidão por toda a vida" (Hb 2.15).
Há pânico, há pavor. O homem pode algumas vezes tentar enfrentar bravamente; com indiferença na fisionomia, mas intimamente ele se sente só, sem recursos. O homem é incapaz de enfrentar esse último inimigo. No livro de Jó a morte é chamada de "Rei dos horrores" - "É arrancado da sua segurança da sua tenda, e é levado ao rei dos horrores". É por isso que muitos sequer pensam ou gostam de falar sobre isso. Mas olhe a sua volta, as pessoas, amigos, parentes são levados pela morte a todo momento.
Davi disse: "ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte". Em muitos lugares na Bíblia a morte é chamada assim - "sombra da morte". E é isso mesmo; uma sombra escura, que vem e escurece os nossos "melhores" dias. Dia a dia vemos essa sombra se aproximando, logo nos envolverá.
Pensar sobre isso parece melancólico para você? Parece mórbido? Esquecer essas coisas e ir vivendo não é uma atitude sábia, é escapismo, é perigoso. Moisés, em um salmo que fala sobre a morte diz: "Tu os arrebatas no sono da morte. São como a erva que nasce de madrugada, de madrugada cresce e floresce, e a tarde corta-se e seca... acabam-se os nossos anos como um conto ligeiro... pois passam rapidamente e nós voamos... Ensina-nos a contar nosso sdias de tal maneira que alcancemos coração sábio" (Sl 90.5,6,9,10). Isso é um passo inevitável para se alcançar um coração sábio. Isso é realismo sóbrio. A morte é talvez, a única grande certeza da vida pra todos nós. O Grande Filipe da Macedônia encarregou um escravo para lhe dizer todos os dias: "Filipe, lembre-se que você haverá de morrer". Não temos "escravos" para nos lembrar; mas será bom se fizermos todos os dias como Filipe.
Não se pode lutar contra um inimigo que se teme. Thamas à Kempis diz: "Pense diariamente em sua própria morte. Olhe o inimigo nos olhos". Você é capaz? Isso deve ser uma experiência real para os filhos de Deus: "Visto, pois, que os filhos tem participação comum de carne e sangue, destes também Ele, igualmente, participou, para que, pos sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber o diabo, e livrasse a todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos a escravidão por toda a vida" (H 2.14,15). Cristo se fez homem para participar conosco do mesmo estado e da mesma natureza. Ele nso livra dessa tirania diabólica pra não precisarmos viver esmagados pelo medo que a morte nos imprime. Cristo partilhou de nossa carne mortal para que experimentasse a morte por nós, destruísse o "senhor" da morte, e construísse uma ponte segura, ampla e forte sobre ela, para que passássemos por ela sem medo. O diabo foi destruído até onde ele tinha o poder de nos arruinar - "o poder da morte" - atribuído a ele, apenas pelo efeito de nos trazer ruína e produzir a morte: "Porque assim como em Adão todos morreram... assim também todos serão vivificados em Cristo... Cristo, as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda. E então virá o fim..." (1Co 15.22-26).
Se você não pode entender a morte, também não pode entender a vida. Qualquer "filosofia" que nos ensina viver os melhores dias, o "verão" da nossa vida, mas não nos ensina dominar a morte, o "inverno" da nossa existência, não vale nada para nós. É nesse ponto que as "filosofias" socumbem e o evangelho assume o lugar que é seu, é óbvio que o verdadeiro evangelho - não o evangelho edonista, da "prosperidade", o culto ao prazer que é visto hoje na "igreja".
A ressurreição de Cristo é um fato único. Outras ressurreições foram temporárias ( Lázaro, Dorcas... ) - A de Cristo não: "...havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre..." (Rm 6.9). Que coisa maravilhosa: "Estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do inferno" (Ap 1.18). No presente a vitória de Cristo trouxe perdão e justificação: "Ele foi entregue pelos nossos pecados, e ressurgiu para nossa justificação" (Rm 4.25), e a vida espiritual: "Fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo ressuscitou dentre os mortos, pela glória do Pai, assim vós consederai-vos mortos ao pecado, mas vivos para Deus em Cristo" (Rm 6.4-12). Vida hoje, vida agora: "Pois somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nelas" (Ef 2.10).
No futuro haverá ressurreição física. Na volta de Cristo, se vivos, seremos transformados; se mortos, seremos ressuscitados: "Eis que vos digo um mistério, na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados... a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados" (1Co 15.50-54).
O temor da morte física - originado no senso de que ela é uma porta para o desconhecido, o sofrimento e o juízo de Deus, foi abolido para os filhos de Deus. Seu aguilhão foi arrancado: "Onde está ó morte o teu aguilhão? Onde está, ó morte, a tua vitória?" (1Co 15.55). Paulo canta esse hino, ele zomba da morte. Isso vem do conhecimento de que nossos pecados foram perdoados, e de que sem sombra de dúvida "nem a morte, nem a vida... nem cousas presentes, nem do porvir... nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 8.38,39).
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O tema central do evangelho, sumareou John Owen - é a morte da morte na morte de Cristo.

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